Carlos Dinarte nasceu em Porto Alegre em 1977 e cresceu cercado pela música que ecoava em casa. A mãe tocava gaita (acordeom) e violão em serenatas, enquanto discos e programas de rádio e televisão revelavam um universo sonoro amplo, que ia da música popular brasileira à música regional.
Na infância, já vivendo no interior do Rio Grande do Sul, entrou em contato com os sons dos festivais da música nativista, das canções que tocavam no rádio e da efervescência do pop e do rock internacional. Esse ambiente diverso, sem fronteiras rígidas entre estilos, formou as bases de uma escuta musical naturalmente eclética — algo que mais tarde se tornaria um dos traços centrais de sua identidade artística.
Aos seis anos, ainda criança, já integrava a banda escolar. Foi na adolescência, porém, por volta dos quatorze anos, que o violão se tornou um companheiro inseparável. Guiado pelas cifras das revistas da época e pelas primeiras rodas musicais em Viamão, começou a desenvolver sua relação mais profunda com o instrumento e com a canção.
Seu percurso musical nunca seguiu linhas retas. Passou pelos bares da noite, participou de festivais locais e, em 2002, mergulhou mais intensamente na música tradicional ao lado de amigos. Primeiro nas missas crioulas da paróquia de seu bairro e, posteriormente, com a formação do grupo Estampa Gaúcha, com quem gravou um disco e se apresentou em fandangos e CTGs.
Em 2007, criou com a esposa e amigos o grupo de MPB Fulano de Tal e os Desconhecidos, que circulou pela cena cultural de Porto Alegre até 2011. Nesse período, também se apresentou em casamentos ao lado de sua esposa — cantora e parceira musical — e participou brevemente da equipe musical do DTG Lenço Colorado, ligado ao Sport Club Internacional.
A partir de 2016 iniciou uma nova etapa, voltada à produção musical independente. Passou a experimentar gravações em home studio e a estudar técnicas de áudio e produção. Entre 2019 e 2020 integrou, novamente ao lado da esposa, o Coral da PUCRS. Após essa experiência coletiva, voltou-se de maneira mais profunda e concentrada aos seus projetos autorais.
Em 2024 lançou dois singles instrumentais — Hacia Adelante e The Pure Song. No mesmo período criou o blog Som Criativo, dedicado à partilha de conhecimentos sobre áudio e produção musical adquiridos ao longo de anos de prática independente, e iniciou também seu canal no YouTube.
Em 2025 iniciou uma nova fase criativa, passando a escrever letras e a compor canções. Em 2026, passou a integrar o coletivo Os Impossíveis: grupo de cinco integrantes que busca compor, registrar e divulgar músicas no gênero rock, folk, blues e “canções urbanas”.
Sua música nasce da convivência entre tradição e experimentação. Embora explore sonoridades digitais e texturas contemporâneas, mantém no centro de seu trabalho o som orgânico do violão e da própria voz — instrumentos que se tornaram pilares de sua identidade musical.
No canal do YouTube e em seu espaço no Substack, Alma Criativa, registra experimentações, reflexões e processos criativos. Ali compartilha experiências e busca inspirar outros músicos a seguirem seus próprios caminhos artísticos. Esses espaços funcionam também como um repositório de ideias e um ponto de encontro com suas composições.
Sua obra propõe um diálogo entre tempos e linguagens: do regional ao universal, do acústico ao digital. Uma trajetória guiada pela mesma chama que começou a acender na infância, na sala de casa, ao som do acordeom da mãe.
Entre suas referências musicais estão artistas do folk, pop rock e rock autoral como The Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Nick Drake, David Bowie, David Gilmour, Eric Clapton e Harry Nilsson, além do grupo America. Da música brasileira, dialoga com a tradição de compositores como Zé Ramalho, Belchior, Tom Jobim, Lô Borges, Baden Powell, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Sérgio Sampaio e Nei Lisboa.
Seu trabalho se insere na tradição do compositor que escreve e interpreta a própria obra. A canção ocupa o centro de seu processo criativo.
Tudo começa com uma voz, um violão e uma pergunta sobre a existência. A música surge da tentativa de compreender o tempo, o mundo e a experiência humana por meio da palavra e da melodia.
Cada canção é pensada como uma espécie de carta: uma forma de traduzir sentimentos, pensamentos e inquietações que pertencem tanto ao indivíduo quanto ao espírito de sua época.
A sonoridade transita entre folk, rock e música brasileira. A simplicidade do violão convive com harmonias elaboradas, melodias claras e atmosferas contemplativas, abrindo espaço tanto para o silêncio quanto para a densidade poética e a experimentação sonora.
De um lado, está a tradição dos songwriters que transformaram a canção em literatura cantada. De outro, a linhagem brasileira que une poesia, harmonia e identidade cultural.
Mais do que seguir tendências, sua busca é construir um repertório de canções que atravessem o tempo — músicas que possam ser ouvidas hoje, daqui a dez ou cinquenta anos, e ainda encontrem alguém disposto a escutá-las.
Carlos Dinarte é um cantautor brasileiro cuja obra conecta folk, rock autoral e música popular brasileira, com foco na força da palavra, da melodia e da canção.




